Lá fui no fim de semana ter um reencontro com o R.E.M., uma das minhas bandas prediletas. Só não digo que é A por causa de dois punhados de britânicos (Beatles e U2) pelos quais tenho um apreço imenso. Para todos esses, eu pagaria o dinheiro que fosse pra ir em um show. E foi o que fiz sábado passado, no HSBC Arena: morri numa boa grana para ir na Pista VIP
Em relação ao lugar, só tenho a reclamar do som. Do lado esquerdo do palco, o baixo sumia, e no lado direito o som parecia chapado (ou 2D, sei lá). Mas aí eu acho que é mais uma questão do engenheiro de som do que do lugar. Afinal de contas, o HSBC Arena não me pareceu ser a caixa de eco que era o Maracanãzinho. A entrada de carros foi um ponto forte. Super bem organizada, com vários profissionais orientando os carros ao chegar, e MUITO espaço dentro das dependências da Arena para estacionar. O preço para estacionar não é barato (15 reais), mas sai mais em conta do que pagar um táxi até lá, mesmo no meu caso (moro relativamente perto).
Antes da banda, rolou show de abertura do ex-Barão Vermelho Fernando Magalhães, que eu acabei não assistindo. Bares tranquilos, bebidas por um preço honesto: mais caro que lá fora, mas nada exorbitante. Fiquei no bar bebendo uma cervejinha e batendo papo com o Surfista. Gente finíssima, tal qual sugere seus ótimos textos. Infelizmente não tivemos a presença do herói de Etérnia, mas como é um cara bastante ocupado, a gente relevou.
Algum tempo depois do horário previsto, a banda americana entra em palco esbanjando vitalidade e entrosamento com uma faixa do Accelerate chamada ‘Living well is the best revenge‘. Confesso que ouvi bem pouco esse último álbum, pois ainda não tinha mergulhado nele de jeito. Com o show tudo fez sentido pra mim: músicas alegres, agitadas, mas não por isso menos melódicas. Em algumas músicas, como a ‘Supernatural Superserious’ (tocada mais para o final do show), me soa bem de longe uns ecos da surf music australiana dos anos 80 e 90. O que achei de mais interessante no show foi terem feito muito bem a mescla de músicas antigas com músicas novas, e mais que isso: usaram algumas músicas pouco trabalhadas dos discos antigos, que inclusive alguns fãs não conheciam. Logo na 2ª música, tocam uma ótima do Life’s Rich Pageant (’These Days‘) e mais adiante um sucesso antigo que eu adoro: ‘Driver 8‘. Mais adiante, escolhem justamente uma das músicas que menos ouço no Automatic for the People: ‘Ignoreland‘. Mas qual o padrão para essas escolhas? Simples: músicas alegres e vibrantes, tal qual boa parte desse álbum de trabalho, e tal qual o espírito da banda com a eleição recente de Barack Obama para presidente dos EUA.
Mais adiante, outra surpresa: ‘Exhuming McCarthy‘, do mesmo disco das badaladas ‘The One I Love‘ (que também tocaram), ‘Finest Worksong‘ (tocada em 2001) e a espetacular ‘It’s the end of the world as we know it (and I feel fine)‘, que fechou a primeira parte do show. Pra mim, uma grata surpresa (é uma das que mais gosto do Document), mas muita gente ali não conhecia e pensou se tratar de uma música do disco novo. Na parte mais introspectiva, não faltaram as obrigatórias ‘Everybody hurts‘ e ‘The Great Beyond‘, e entraram para o time as excelentes ‘Sweetness follows‘ e ‘Nightswimming‘, ambas do Automatic. Também cairiam bem aqui ‘Daysleeper‘ e ‘I’ll take the rain‘, procurando não repetir a ótima ‘At my most beautiful‘, tocada no show de 2001. No bis, obviamente não faltaram a mais conhecida pelo grande público (’Losing my Religion‘) e a grande música alegrinha do Automatic, ‘Man on the Moon‘.
No mais, além daquelas tentativas básicas de simpatizar com o público local, como um ou outro ‘obrigado’, bandeira do Brasil, we love you Rio, etc; rolaram algumas gracinhas no telão (como a imagem de um papel pedindo para o público gritar mais alto, pedindo o bis), e palmas e gestos feitos por Stipe e Mills pedindo que o público os imitasse. Um show e tanto, que no meu ranking só não barrou o de 2001 por uma questão de repertório. Se tocasse ‘Electrolite‘, seria pelo menos empate. Espero que voltem mais vezes pro lado de cá da linha do equador, agora que sabem mesmo o caminho.